MARIA LUIZA EM: SENTINDO COM OS OLHOS DO ESPÍRITO

Sentindo com os Olhos do Espírito
Por Gervásio Santana de Freitas

sombras2Não era possível enxergar nada com os olhos naquela escuridão total. Breu total. Foi quando Maria Luiza pressentiu que, além daquelas vozes que insistiam em chamar Maria Luizaaaaa… Maria Luizaaaaa…, por trás das imagens daquelas horrendas figuras de estátuas de cemitério, por trás das labaredas crepitantes de fogo que a cercavam, por trás daquela serpente gelada enrolada em suas pernas, daquelas gargalhadas sinistras, havia algo muito maior, uma força da qual ela não divisava, mas sentia como que se fosse uma grande representação do mal.

Ela não enxergava, mas podia sentir aquela força negativa… E sentia isso na forma de dor, mortes, sangue, flagelos, acidentes naturais, tragédias, medos, angústias, depressão… Vontade de abandonar a vida e partir para outra dimensão… Tudo isto ela sentia sem ver exatamente o que a estava espreitando… E, mais ainda, intuia que, fosse lá o que quer que fosse, aquela coisa estava rindo zombeteiramente dela…

Perdida naquela ambiente funesto e com as pernas imobilizadas, Maria Luiza sabia que tinha de lembrar de alguma coisa, mas não atinava o quê… Porém, ei… de repente os braços deixaram de responder aos seus comandos… Caíram, como que amolecidos… E também a cabeça… Não mais podia mexer a cabeça, nem para a esquerda nem para direita… Imobilidade total! As vozes continuavam a chamar seu nome… Maria Luizaaaaa… Maria Luizaaaaa… Agora você não nos escapa…

Sabendo que, imobilizada, as chances de uma ação de fuga eram nulas, a única coisa que lhe restava além daquele medo mórbido era chorar… E chorou desesperadamente… As lágrimas desciam vertiginosamente, escorrendo em sua face… Não bastasse o pavor de toda aquela cena, a víbora gelada enrolada geladamente em suas pernas sorvia cada uma das lágrimas que descia… Para aquele réptil era como se as lágrimas fossem um néctar maravilhoso… E quanto mais Maria Luiza chorasse, mais aquela terrível peçonhenta lambia as lágrimas que lhe escorriam pela face com sua língua fendida… Como se estivesse com sede… Como se ela se alimentasse de lágrimas alheias…

Imersa naquele ambiente de escuridão total, sentindo com os olhos do espírito, Maria Luiza pressentiu que tinha chegado o momento de todas aquelas representações do mal atacarem. Tal qual como predador prestes a dar o golpe de misericórdia na presa, tudo aquilo se armou avolumando-se negativamente ao redor de Maria Luiza. Ela não via, mas sentia. Ao longe um som que parecia um de mil trovões se aproximava! E então ela conseguiu ouvir a ordem, que chegou até ela numa voz alta, rouca e grave: “Desista! Renda-se!”

Apavorada, pressentindo seu próprio fim e querendo evitá-lo, Maria fez o máximo de esforço físico que aquela situação terrível de aprisionamento permitia e pulou para o lado, gritando, com
a força que seus pulmões permitiram: “Nunca, jamais me entregarei!”

Após o pulo, sentiu internamente uma sensação estranha, então aguçou os sentidos e viu, agora sim com alguma claridade, que estava sentada no chão, ao lado da sua cama e o ambiente era o seu quarto… Estava empapada de suor, respiração ofegante, lágrimas escorrendo pela face… Um pesadelo… Ela tinha caído da cama! Graças a DEUS tinha sido somente um pesadelo…

Maria Luiza olhou o relógio na cômoda ao lado, já passava das seis da manhã. Ela até pensou que poderia tentar dormir mais um pouco, afinal, não tinha nenhuma faxina agendada… Mas, sinceramente, dormir como, depois de todas aquelas sensações terríveis que ela tinha vivenciado no pesadelo? Então pulou da cama. Iria tomar um banho gelado, fazer e tomar um café bem forte… E quem sabe, ler um pedacinho da Bíblia a fim de encontrar algum conforto…

Gostaria de ver Maria Luiza em alguma situação específica? Envie um e-mail para note@texbr.com com a sua opinião, críticas ou sugestões sobre esta crônica.

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