MARIA LUIZA EM: HORAS DE ANGÚSTIA

Horas de Angústia
Por Gervásio Santana de Freitas

sombrasHavia quase nada de luz. As sombras que vinham por trás pareciam chegar cada vez mais perto. O vozerio abafado se misturava com gargalhadas espalhafatosas e exageradas… Vozes graves, agudas e de todos os timbres chamavam seu nome, a formar como que um coral sinistro e repetitivo: Maria Luizaaaaa… Maria Luizaaaaa…

Gelada de medo e suando frio pelas faces e pela palma da mão, Maria Luiza tentava lembrar-se de algo, mas como aquela situação disparou o gatilho do pavor, correu desesperadamente para escapar daquilo. Corria o máximo que podia. O lugar agora estava ainda mais escuro, e mesmo com todo aquele breu, Maria Luiza tinha a impressão de que havia uma luz à frente… Parecia, mas ela não tinha certeza! Só intuía que tinha de correr! Se afastar! Houvesse o que fosse na frente, era muito melhor do que deixar que aquelas vozes e sombras apavorantes a alcançassem…

Maria Luizaaaaa… Maria Luizaaaaa… Uma lufada de vento chacoalhou ainda mais seus longos cabelos enquanto corria arfante, desesperada, ansiada, porém centrada em tentar escapar daquele apavorante cenário de terror. Teve coragem de olhar para trás uma vez e então viu vultos sinuosos com cores frias a formar imagens como que de estátuas e imagens medievais de cemitério… Por sobre elas, resplandeciam círculos e triângulos luminosos em tons que iam do rosado ao avermelhado, numa dança etérea como que a formar um labirinto… Aquelas imagens avermelhadas se transformaram então em labaredas ardentes de fogo e se aproximaram cada vez mais. Mais do que as próprias vozes… Muito próximas… Prestes a queimar suas costas…

Quando percebeu isso, Maria Luiza jogou-se para a frente num salto… Não seria aquilo que a derrotaria… Enquanto saltava, aguçou os ouvidos e pôde ouvir o crepitar da lenha se queimando numa fogueira como que fogueira de acampamento, armada ao relento. Chegou a sentir o cheiro da fumaça da madeira… Cheiro desagradável, de podre, odor de esgoto, ou talvez de peixe morto… Aquelas labaredas se aproximavam e, quanto mais ela corria, parece que mais perto aquilo estava dela… Do que mesmo ela tinha que se lembrar?

As vozes continuam a chamar: Maria Luizaaaaa… Maria Luizaaaaa… E Maria Luiza corria, mas o cansaço já era imenso, parecia que ela já estava começando a sentir cãibras… Aqueles sons de vozes chamando insistentemente seu nome, com o crepitar de madeira queimando ao fogo a perseguiam… Seria questão de pouco tempo… Era evidente que ela não resistiria muito…

Uma daquelas labaredas sobrevoou a sua cabeça e transformou-se num pássaro… um grande papagaio esverdeado com asas de águia e com um bico enorme como que de tucano, mas o bico era maior que o próprio corpo… Maria Luiza, sem parar um só momento de correr, via aquilo e não entendia como tal situação podia estar ocorrendo com ela… Foi quando o enorme bico de tucano começou a transformar-se numa enorme boca de serpente, e o pássaro inteiro em uma enorme cobra verde, a qual, nadando em zigue-zague sobre uma superfície que parecia água, enrolou-se nas pernas de Maria Luiza.

Suas pernas amoleceram como que anestesiadas e Maria Luiza caiu ao chão, paralisada. Irônico, o réptil ria para a presa, agarrado em suas pernas, balançando a língua fendida para ela… Um riso de escárnio, um riso de deboche… Maria Luiza podia sentir isso… Por mais que tentasse levantar-se e correr, as pernas não mais respondiam aos seus comandos mentais, estavam travadas…

Então o que ela mais estava temendo aconteceu. Estava tudo acabado… Aqueles seres horrendos a alcançaram. Agora eles já não estavam com pressa, parece que pressentiram que ela estava imobilizada… Maria Luizaaaaa… Maria Luizaaaaa… Finalmente a alcançamos… Agora você não nos escapa!

Gostaria de ver Maria Luiza em alguma situação específica? Envie um e-mail para note@texbr.com com a sua opinião, críticas ou sugestões sobre esta crônica.

NÃO SEJA UM INCOMPETENTE!

  • Tranckbacks fechados
  • Comentários (0)
  1. Nenhum comentário ainda